Design de navegação

Aula 01

A. A fábulas dos dois reis

Os dois reis e os dois labirintos

BORGES, Jorge Luis. O Aleph, São Paulo: Editora Globo. 2001

Contam os homens dignos de fé (porém Alá sabe mais) que nos primeiros dias houve um rei das ilhas da Babilónia que reuniu os seus arquitetos e magos e lhes mandou construir um labirinto tão complexo e sutil que os varões mais prudentes não se aventuravam a entrar nele, e os que nele entravam se perdiam. Essa obra era um escândalo, pois a confusão e a maravilha são atitudes próprias de Deus e não dos homens. Com o correr do tempo, chegou à corte um rei dos Árabes, e o rei da Babilónia (para zombar da simplicidade do seu hóspede) fez com que ele penetrasse no labirinto, onde vagueou humilhado e confuso até ao fim da tarde. Implorou então o socorro divino e encontrou a saída. Os seus lábios não pronunciaram queixa alguma, mas disse ao rei da Babilónia que tinha na Arábia um labirinto melhor e que, se Deus quisesse, lho daria a conhecer algum dia. Depois regressou à Arábia, juntou os seus capitães e alcaides e arrasou os reinos da Babilónia com tão venturosa fortuna que derrubou os seus castelos, dizimou os seus homens e fez cativo o próprio rei. Amarrou-o sobre um camelo veloz e levou-o para o deserto. Cavalgaram três dias, e disse-lhe: "Oh, rei do tempo e substância e símbolo do século, na Babilónia quiseste-me perder num labirinto de bronze com muitas escadas, portas e muros; agora o Poderoso achou por bem que eu te mostre o meu, onde não há escadas a subir, nem portas a forçar, nem cansativas galerias a percorrer, nem muros que te impeçam os passos."

Depois, desatou-lhe as cordas e abandonou-o no meio do deserto, onde morreu de fome e de sede. A glória esteja com Aquele que não morre.


 

B.Elementos de localização

Localização em vários contextos:

 


Igreja de Santa Maria del Fiore, Florença (foto de Aleks9)


Igreja de Santa Maria del Fiore, Florença (foto de fspugna)

A questão do labirinto: o que é um labirinto (quantos corredores são necessários para fazer um labirinto?) Talvez, para o camponês, a cidade seja um labirinto.

C. Mapas

Um mapa é uma representação de um modelo mental da realidade. Mapas geralmente mantém uma relação icônica com a cidade (similaridade entre o mapa e a cidade em si), embora várias informações relevantes num mapa sejam simbólicas, ou seja, convencionais.

Revisitar os conceitos de ícone, índice e símbolo.

Um mapa pode enfatizar direção ou distância.

D. Sinalização

Elementos de navegação em contextos físicos. Não é o suficiente promover a circulação; é necessário comunicar os caminhos e possibilidades.


O que quer dizer esta placa? Permitido abrir os braços? (foto de rileyroxx)

 


Algumas placas parecem sinalizar o que devemos ou não devemos fazer...


Outras indicam onde estamos


Outras se preocupam mais "falar" sobre outros lugares. Entre estas, algumas falam sobre distância e outras sobre direções.

Exercício:

Em grupo (mesmas regras do trabalho interdisciplinar para composição dos grupos).

Vale 2 pontos.

O grupo deve tirar cerca de 50 fotos de placas na cidade que se relacionem à navegação (não vale propaganda, etc).

Organizem as fotos de acordo com duas classificações:

  • Quanto ao tipo de signo:
    • as que usam ícones e
    • as que usam símbolos
  • O que a placa tenta transmitir:
    • onde estou,
    • direção para alcançar meu destino ou
    • distância para o destino.

Gerem um PPT sobre o assunto.